Segunda carta
Meu amor- ainda há pouco instantes, eu sentia o rumor do teu coração junto ao meu, sem que nada os separasse- e já estou tentando continuar ansiosamente, por meio deste papel inerte, e estar tudo bem contigo que é hoje todo o fim da minha vida. É que, longe da tua presença, cesso de viver. Antes de te amar, que era eu, na verdade? Uma sombra flutuando entre sombras. Mas tu vieste, doce adorada, para me fazer sentir a minha realidade, e me permitir que eu bradasse também o meu- “amo, logo existo!” Quando há dias, ao anoitecer, te queixavas que eu contemplasse as estrelas estando tão perto dos teus olhos, espreitasse o adormecer das colinas junto ao calor dos teus ombros- não sabias que essa contemplação era ainda um modo novo de te adorar, porque realmente estava admirando, nas coisas, a beleza inesperada que tu sobre elas derramas e que antes de viver ao teu lado, nunca eu lhes perceberas, como se não percebe o vermelhidão das rosas ou o verde tenro das relvas antes de nascer o sol! Foste tu, minha bem-amada, que me alumiaste o mundo. E acrescer ainda, para meu martírio e glória, que tu és tão sumptuosamente bela, de uma beleza feita de céu e de terra, beleza completa e só tua- que nunca julgara a realizável, eras a encarnação dos meus sonho, ou antes de um sonho que deve ser universal- mas só eu te descobrir, ou, tão feliz fui, que só por mim quiseste ser descoberta: Vê pois, se jamais te deixarei escapar dos meus braços. Não penses que estará compondo cânticos em teu louvor. É em plena simplicidade que deixo escapar o que me está borbulhando na alma… Ao contrário! Toda a poesia de todas as idades seria impotente para exprimir o meu êxito. E nesta desoladora insuficiência do verbo humano, é como o mais inculto e o mais iletrado que ajoelho ante de ti, e levanto as mãos, e te asseguro a única verdade, melhor que todas as verdades- que te amo, e te amo, e te amo, e te amo…

És um poeta!
ResponderEliminarPalavras saudáveis! É a fonte da humanidade.
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